LAMENTOS - Breves Contos na Quarentena

Alguns Contos tenho escrito durante este período da Quarentena. Não digo que tenho sofrido muito isolado aqui num medíocre apartamento de um Inocoop do Limão - São Paulo - SP. 

   Sofro mais pela Mediocridade que me cerca do pela Verdade

   Os meus Contos procuram apresentar esta minha reflexão alucinada sobre o que penso a respeito de muitas "coisas".

     Por isso, são LAMENTOS.

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Lamentos

(Breves Contos da Quarentena)


 

Quarentena…

Entendo quarentena como um período de 40 dias…

Quarenta dias afastados de uma cidade portuária, dentro de um navio.

Sempre me veio isto na cabeça, ao ouvir sobre quarentena.

Consultei o Míni Houaiss – Dicionário da Língua Portuguesa. Lá está logo de início para

Quarentena: Período de 40 dias.

Também pode estar relacionado ao número de 40 entidades ou pessoas.

Pode ser isolar ou suspender um processo (jurídico, administrativo), a fim de assegurar alguma evidência, coisa e tal.

Entra também em isolar pessoas infectadas ou suspeitas de infecção.

Não tão contente com tais explanações, fui à internet:

Encontrei o que copiei e colei abaixo o que melhor julguei como real informação:

https://www.dicio.com.br/quarentena/

 

substantivo feminino

 

Número exato ou aproximado de quarenta (40); período de 40 dias.

 

[Medicina] Isolamento de certas pessoas, lugares e animais que podem acarretar perigo de infecção, o período de quarentena é relativo e depende do tempo necessário para proteção contra a propagação de uma doença determinada.

 

[Por Extensão] Isolamento imposto a pessoas e mercadorias originárias de países, lugares, regiões, continentes onde há epidemias de doenças contagiosas.

 

[Marinha] Isolamento imposto a um navio que transporta pessoas, animais ou mercadorias provenientes de país assolado por uma doença contagiosa, originalmente compreendia o período de 40 dias.

 

[Popular] Período durante o qual uma pessoa não tem relações sexuais.

 

[Religião] Período de quarenta dias que se inicia após a Quarta-feira de Cinzas e vai até ao Domingo de Páscoa; quaresma.

 

Etimologia (origem da palavra quarentena). De origem questionável; talvez pelo francês quarantaine ou quarenta + ena.

 

Ainda neste mesmo site de significado, encontrei o que mais condiz ao que sabia desde moleque:

 

Infor

mações relevantes

Origem da Palavra Quarentena. O nome "quarentena" provém do fato de antigamente, quando as autoridades de um porto suspeitavam que houvesse portadores de infecção entre os passageiros ou tripulantes de um navio, esse ter de ficar 40 dias ao largo do porto, sem atracar.

Sinônimo de Quarentena: Isolamento.

 

Legal escrever com acesso à internet, mesmo em quarentena. O Mundo Virtual Não Está Desconectado… Por enquanto.

Até quando?

Realmente o que sabia era verdadeiro, não fack.

O Isolamento (quarentena) médica pode ter seus dias relacionados ao tipo de doença ou infecção necessário para a manifestação do vírus.

Por isto que a quarentena do Covid 19 é de 14 dias.

Nas embarcações era de 40 dias porque dá tempo do vírus se manifestar e de todos os infectados morrerem… ou, pelo menos, sobrar quem adquiriu imunidade.

Tudo é tão lógico e literalmente tão matemático…

Será que o Coronavírus, este exclusivo do Covid 19 sabe que ele tem os momentos de quatorzena (14 dias), que está contido na quarentena e, que os humanos especialistas e leigos acreditam que aqui no Brasil estamos atingindo o cume (pico) -não pica -, da possibilidade de infectar as pessoas?

Será que o Covid 19 acompanha seus dias no calendário?

O Covid 19, em outras palavras, sabe que está na hora dele cumprir com o cronograma do Ministério da Saúde, do que passa no microcéfalo do Bolsonaro e nos planos dos prefeitos e governadores de que agora, depois do 7 de abril, tudo deve voltar ao normal?

E o que vem a ser normal?

Pode o Covid 19 nos perguntar:

Normal é ficar todos os dias da Quarentena, às 20 horas, rezando o Pai Nosso coletivamente nas varandas de um medíocre condomínio Inocop com 5 torres de 12 andares no Limão? - que nem torres são, mas sim blocos.

Rezar acreditando que até agora, em mais de 18 dias de Quarentena ninguém se infectou e morreu?

 

e eu conversamos durante as rezas, na sala, com a cortina fechada, gargalhando da mediocridade.

Em uma das rezas alguém falou: Está chovendo, a chuva lava o coronavírus. Eu afastei a cortina e, com Pazuzu, conferi: Haviam vários coronavírus – vermelhinhos – se refrescando com a água molhada da chuva. Lavando os sovacos, as virilhas, sorrindo e dando tchauzinho.

Ainda bem que alguém reclamou nos primeiros 7 dias da criação desta reza crente maldita.

O Síndico viu que não podia dar regalias a um grupo de imbecis que se sentem maioria no condomínio. O mesmo grupo que elegeu este presidente de merda que nos governa.

O Covid 19 deve saber que aqui no Brasil vai ser festa por causa do Bolsonaro.

Isto pelo menos ele sabe.

Vai arrasar.

Por isto Pazzuzu está aqui.

Segundo o amigo Pazuzu, não sou um cara mau.

Se o Covid 19 levar 33% da população brasileira, sendo estes 33% por quem votou em Bolsonaro = sem se esquecer de levar o dito cujo junto; não teremos mais rezas medíocres no condomínio.

Teremos um Brasil Melhor.

Pazuzu franze a testa.

Sim!

Tenha Gostado ou Não, é um Lamento.

Eraldo Pieroni e Pazuzu

São Paulo, 8 de abrtil de 2020 – 18h:41m.


 

Amigo

Neste período que transcende a quatorzena e que evidentemente transcenderá a quarentena, tenho lido muito.

Não tenho visto meus amigos.

Ás vezes calha de trocar figurinhas e gracinhas pelo whatsapp.

Existem outras plataformas de Redes Sociais: Instagram, Twitter, Facebook, Blogs, Sites.

Sim! Tenho um site. Divulgo o que escrevo pelo site, youtube. Recebo alguns comentários de amigos e de outras pessoas. Muitas dão apenas um gostei.

O Youtube é mais sincero do que o Facebook: Seguidores

O Facebook coloca: “Convidar como amigo”

Aí fico pensando… Se nem com meus dois amigos de infância tenho ficado na tele conversa, como eles tanto desejam, como é que vou fazer “amizade” com quem desconheço presencialmente?

Sim! É óbvio que é mais fácil desejar uma mulher virtual do que pessoalmente.

Sempre existe um erotismo maior no virtual do que no real.

Já pensou sobre isto?

No virtual, o rostinho, cabelinho, shortinho… sorrizinho… lábios suculentos… além de tantos outros volumes corporais… o jeitinho de dançar, rostinho maroto.

Veja que Não é pela palavra escrita que se cativa (erotiza).

O belo é o que se deseja ter.

Ter para você.

Aí, se te tocas o erotismo, deixa de ser um desconhecido entre tantos que te seguem.

Passa a ser “uma amiga”.

Depois, ‘A Amiga”.

Pode até deixar de ser “A AMIGA”

Passa a ser MUITO MAIS!!!!!!

Mesmo que virtual…

ELA É!

EXISTE!!!

E os amigos, aqueles que você conhece de antanhos?

Os Gregos Clássicos repetiam algo que os Egípcios e Sumérios (em ordem decrescente) falavam:

O que Não se Vê, pode estar Morto.

“Assim você está sendo radical”, replica Pazuzu.

Não – respondo: nem tanto.

Posso ver e conversar com meus amigos de antanho pelo whatsapp e por outras plataformas. Realmente posso manter um vínculo de amizade… Talvez muito mais real do que aquelas que tenho com outros amigos com os quais somente troco mensagens faladas ou tecladas, além de figurinhas.

A identidade da amizade está na cumplicidade – chama-me a atenção Pazuzu.

Talvez… (para não lhe dizer sim)

A cumplicidade está no acordo dos pós e contras do momento em que se troca uma figurinha, um vídeo pornô, um meme, algumas ermas palavras.

A identidade está no fato de você não se sentir sozinho e nem desamparado naquele exato momento… Pode até transcender ou ser muito igual àquele momento prazeroso de boteco.

Mas transcende – retoma Pazuzu, quebrando minhas silenciosas elucubrações.

Observo-o indignado por ter me interrompido na solidão do meu monológo.

Transcende o áureo momento do boteco porque é Virtual:

Nele, a desconhecida se torna amiga apenas pelo rostinho lindo e pelas fotos na galeria e no Instagram. Parece que ela te procura.

Erasta é quem procura.

Erotizada é aquela que te apresenta em fotos e gracejos em memes.

De Erotizada passa a ser Erômena quando por ti tão desejada, uma vez que sendo tu o erasta, irá desejá-la profundamente pela beleza.

Interrompi Pazuzu.

Não seria ai um amor platônico?

Não necessariamente.

Tudo bem que tu te engajaste em O Banquete de Platão, donde se discute sobre Eros, erótico, erasta e erômeno.

Mas, o amor entre amigos, pode ser erotizado e até possessivo sem que nenhum dos amigos perceba. Permanece na intensidade de se sentir bem por ter este, aquele e aquele outrem por amigos. Pode gerar até ciúmes na forma como um se relaciona com o outro. O Eros aí é erótico sem ser sexualmente levado ao ato; mesmo sem deixar de ser erótico, sem homossexualidade alguma.

A Erômena virtual, é poderosa. Você a deseja, mas nunca a terá.

Entramos em Édipo Rei.

Talvez…

Se pensar que toda relação homem e mulher é incestuosa… pelo que está em O Banquete; pelo que está entre Adão e a sua primeira esposa Lilith; e, porque não com Eva que lhe veio da costela?

Se pensar que a Erômena Virtual é muito mais segura do que a Real, pelo fato de nunca te incomodar realmente; dando-te toda a liberdade virtual da fantasia sexual…

Pazuzu me desconsertou.

Pensava que ele era um demônio especializado apenas em doenças e infecções contagiantes. Convidei-o a passar alguns dias comigo na Quarentena para um bate-papo.

Demônios são, nada mais nada menos, do que intermediários entre os homens e os deuses. Mensageiros, entre nosso mundo e o mundo dos Deuses.

São tão podres e bons como nós.

Pazuzu ficou famoso no livro e filme O Exorcista, do início da década de 1970.

Às vezes se irrita comigo quando aponto para este ou aquele vizinho do condomínio e falo: que tal azucrinar com eles?

Nem o síndico me deixou fazer uma oração para Pazuzu afastar o Covid 19 do condomínio.

Afinal, ele é o cara!

É o intermediário.

É o especialista no negócio de doença contagiosa…

Nada satanista.

Como diz Platão: A Ignorância está naqueles em que se contentam em viver ignorando o que lhes falta; contentes com o que tem, sem lutar pelo melhor. Se escondem no que tem, com ideologias amargas e pessimistas, geralmente egoístas: Como rezar para salvar a sua alma, antes de tudo. Evitar que o Vírus as contaminem, sem se importar com os outros fora de seu castelo de falso tijolo.

Concordo que aproximei o amigo Platão para uma explanação mais adequada ao nosso alarmante e viral contexto.

Discordo de Pazuzu: É possível que no teu maior pico de carência gere uma Paixão Platônica pela Erômena Virtual.

É possível carregá-la como escudo de teu celular – no meio de tantos aplicativos bestiais.

Você pode tomar banho com ela.

Pode conversar caminhando com ela

Mesmo que seja apenas uma iconografia.

Por mais evangélico que tu sejas, serás um iconoclasta ao cortejar esta Erômena Virtual pela imagem santificada que dela tiver.

Não sou evangélico, apenas alerto meus arqui-inimigos.

Não que não tenha amigos evangélicos.

Religião não se discute na mesa de bar.

Mas é contraditório ser contra iconografia e ser iconoclasta de uma mulher virtual.

Aí entraria minha amiga Lilith.

Ela virá quando Pazuzu for embora.

Pazuzu é legal.

Como demônio, como também o é Eros, busca pelo saber, pela filosofia. Assim, tem, como todo humano ser tem: seu lado bom e ruim. E, como ele mesmo define: Não existe o bom e o ruim entre os humanos e os demônios.

Existe, apenas por uma questão boba de tentar entender tudo, a classificação de tudo e de todos: certo e errado; azul, vermelho, amarelo, roxo…; bem e mal; bom e mau; par e impar; claro e escuro; assim e assado…

Damos nomes aos bois apenas para podermos nos situar no espaço em que vivemos. O tempo, apenas para sermos escravizados por quem detêm o poder sobre nós.

Somos menos do que os demônios por termos que viver dentro de um espaço regido pelo tempo, pela velhice e pelo desprezo humano.

Assim, o que é que vem a ser o termo Amigo?

Podemos buscar no dicionário físico ou virtual.

Pode ser até um conceito filosófico.

Amigo, é uma forma de classificar e de catalogar alguém para ti e para outrem.

“ Ei! Aquele ali não é o teu amigo?”

“Você nem cumprimentou”.

Alguém acaba de elencar outro alguém como um amigo para você.

Alguém em um boteco, aquele chato serrote, pode depois de meses entre tapas e socos contigo, chegar todo sorridente – com um dente a menos, que você lhe arrancou na porrada – e dizer para você: “ E aí amigo, vamos tomar uma cerveja?”

Quem que deu a este sujeito a propriedade de ser seu amigo?

É como alguém que você não conhece e quer ser seu amigo no Facebook.

Quando isto aconteceu comigo, simplesmente levantei da cadeira, paguei o que bebi e sai.

É o que fazemos nas Redes Sociais.

O que não se vê, pode estar morto.

E, por muitas vezes, o que vemos, já morreu faz tempo.

A morte não é apenas uma questão física e espiritual…

Pessoas mortas andam ao meu redor, sem saber que para mim já estão mortas.

Não esquente, isto tudo é apenas um Lamento de Quarentena.

Escrevo…

Não me importa se quem lê seja ou não meu amigo.

Pode ser que eu seja eterno enquanto escreva e seja lido.

Mas pode ser que, quando estas letras chegue até você, eu já tenha morrido.

 

Amigo…

Questão de Cumplicidade.

Eraldo Pieroni e Pazuzu

São Paulo, 8 de abril de 2020 – 19h:49m.

 


Deixo aqui alguns links que são de suma importância:

https://clubedeautores.com.br/livros/autores/eraldo-pieroni

www.eraldopieroni.com

https://multigriot.blogspot.com/?view=magazine

www.megafono.host/podcast/prof-eraldo-historia-com-ciencia

Canal Youtube:

https://www.youtube.com/channel/UC8tl2j-2GZwfID-cGbRwdMg

Facebook:

https://www.facebook.com/HistoriacomLiteratura/

PDF - LAMENTOS - PARTE 1 - ERALDO PIERONI

PODCAST - LAMENTOS - PARTE 1 - Megafono:

https://www.megafono.host/podcast/prof-eraldo-historia-com-ciencia/lamentos-contos-breves-da-quarentena

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